terça-feira, 30 de março de 2010

Eu escrevo apenas...

" [...] Escrevo porque amanhece
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê? [...]"

Paulo Leminski

quarta-feira, 24 de março de 2010

Inconstância

"Eu sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade.
Pinto a realidade com alguns sonhos, e transformo alguns sonhos em cenas reais. Choro lágrimas de rir e quando choro pra valer não derramo uma lágrima.

Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz. Busco pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, me atiro e quando recuo não volto mais. Mas não me leve a sério, sei que nada é definitivo. Nem eu sou o que penso que eu sou. Nem nós o que a gente pensa que tem.

Prefiro as noites porque me nutrem na insônia, embora os dias me iluminem quando nasce o sol. Trabalho sem salário e não entendo de economizar. Nem de energia. Esbanjo-me até quando não devo e, vezes sem conta, devo mais do que ganho. Não acredito em duendes, bruxas, fadas ou feitiços. Não vou à missa. Nem faço simpatias. Mas, rezo pra algum anjo de plantão e mascaro minha fé no deus do otimismo. Quando é impossível, debocho. Quando é permitido, duvido.

Não bebo porque só me aceito sóbria, fumo pra enganar a ansiedade e não aposto em jogo de cartas marcadas. Penso mais do que falo. E falo muito, nem sempre o que você quer saber. Eu sei. Gosto de cara lavada — exceto por um traço preto no olhar — pés descalços, nutro uma estranha paixão por camisetas velhas e sinto falta de uma tatuagem no lado esquerdo das costas.

Mas há uma mulher em algum lugar em mim que usa caros perfumes, sedas importadas e brilho no olhar, quando se traveste em sedução.

Se você perceber qualquer tipo de constrangimento, não repare, eu não tenho pudores mas, não raro, sofro de timidez. E note bem: não sou agressiva, mas defensiva. Impaciente onde você vê ousadia. Falta de coragem onde você pensa que é sensatez.

Mas mesmo assim, sempre pinta um momento qualquer em que eu esqueço todos os conselhos e sigo por caminhos escuros. Estranhos desertos. E, ignorando todas as regras, todas as armadilhas dessa vida urbana, dessa violência cotidiana, se você me assalta, eu reajo."

Martha Medeiros

sexta-feira, 19 de março de 2010

"A alegria é como uma borboleta que esvoaça baixinho sobre os campos mas a dor é como um pássaro de grandes asas negras e robustas que nos transporta acima da vida que existe lá em baixo ao sol entre a verdura."
Edith Sodergran

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A dor que doi mais

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela.

Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Para 2010...

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto devemos:
Fazer da interrupção, um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...

Fernando Pessoa

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Choro da Fénix

Às vezes sou invadida por este estado negativista e pessimista que imobiliza toda a minha vida.
Absorve-me durante uns minutos de tal maneira que só me consigo libertar dele chorando.
São essas lágrimas de dúvida, descrédito e falta de esperança que me assustam, ainda que por meros minutos.
Nesse período, tudo fica em causa, em dúvida... sinto-me perdida e só.
Estou encarcerada dentro de mim e não sei como sair. A dúvida é tão grande e a esperança está tão longe que tudo parece correr mal.
Esses minutos acabam e estou como que renovada, renascida e esperançosa. Acredito em mim mais do que é normal, tenho esperança redobrada.
Gosto de chamar a estes minutos - Choro da Fénix, pois tal como ela, renasço das cinzas.

Clara Ferreira

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Instantes Perfeitos

De que é feito o amor? De vontade, de tempo, de perfeição. De espera, de respeito, de paciência. De doçura, de proximidade, de generosidade. De sonho, de paixão e de alguma tristeza. Há pessoas que ficam muito tristes quando percebem que se vão apaixonar. E outras que ficam ainda mais quando se apercebem que não conseguem atingir esse estado exaltado e sublime que faz parar os ponteiros do relógio, satura as cores e traz uma luz perfeita à existência.
Eu pensava que sabia o que era o amor. O amor puro, incondicional, intemporal e inabalável que resiste a tudo, ao frio, à solidão, ao vento e à chuva, ao tempo e ao modo, à ausência e à distância. Cada dia que vivi nesse estado de graça era um dia cheio, podia ser o derradeiro, porque nada contava além desse sentimento abrasador, invasor, arrebatador que me tomava os membros e a alma, a cabeça, os olhos e o peito, as horas, minutos e segundos, que tomava conta da minha vida e de mim.
Não me interessava se o meu objecto amoroso, um rapaz afinal igual a tantos outros com olhos de criança e andar elástico, me amava ou me queria, tal era a dimensão do que por ele sentia. E, sem nunca desistir, habituei-me à ideia de que o amor era amá-lo, mesmo na ausência, na tristeza, no vazio das minhas mãos que se davam uma à outra sem que uma terceira as agarrasse para me dizer:- Estás enganada, é preciso outra pessoa para construir o amor.
Quando nos habituamos a dar, receber torna-se um exercício difícil, quase assustador. Quando vivemos numa elevação permanente, baixar à terra parece-nos torpe e pouco digno. Quando somos náufragos dentro de nós mesmos, todas as praias são miragens e esquecemo-nos de procurar um porto de abrigo. E habituamo-nos a uma tristeza permanente que nos faz ver o mundo desfocado e que nos protege da luz que já fomos.
É muito difícil voltar a amar. Amar sem tempo, sem exigências, sem medo. Amar por amar, querer sem pensar, sonhar sem recear, deixar o barco partir outra vez. O barco balança mas a âncora não sobe, as velas enrolam-se de recato e cansaço, o vento não sopra e muito pouco muda.
Mas porque é impossível sobreviver no deserto ou navegar para sempre, há instantes de amor, momentos perfeitos em que sentimos outra vez o sangue a ferver, os olhos mudam de cor e as mãos voltam, por breves segundos, a entrelaçar-se, quando alguém nos diz ao ouvido:- Estás enganada, pode ser isto o amor.
E pode, e deve e nós até queremos que seja, mas o coração não obedece a nada senão à sua própria vontade e o amor continua a ser um mistério que não sabemos como começa nem quando acaba. "I guess i’m luckier than some folks/I knew the thrill of loving you", canta o Chet Baker enquanto escrevo estas linhas para nelas guardar instantes perfeitos que desejaria transformar numa vida inteira. Mas a vida é isto: acho que tenho mais sorte que os outros, pois já amei alguém. Agora, aprendi a amar a vida, a cor da lua quando enche, o tempo que passamos juntos, tu e eu, num sossego só nosso, feito de pequenos instantes perfeitos que se vão dissolvendo na espuma dos dias.

Margarida Rebelo Pinto

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Kisses kept are wasted, Love is to be tasted...


Kisses kept are wasted;

Love is to be tasted.

There are some you love, I know;

Be not loath to tell them so.

Lips go dry and eyes grow wet

Waiting to be warmly met,

Keep them not in waiting yet;

Kisses kept are wasted.


(Edmund Vance Cooke 1866 - 1932)

domingo, 29 de novembro de 2009

"So tell me when you hear my heart stop, you're the only one that knows!
Tell me when you hear my sobbing, there's a possibility I wouldn't know.
So tell me when my crying's over, you're the reason that I'm crying.
Tell me when you hear me falling, there's a possibility it wouldn't show"
Lykke Li "Possibility"
New Moon OST

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

It's never too late...


For what it's worth: it's never too late or too early to be whoever you want to be. There's no time limit, stop whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you're proud of. If you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again.
"The Curious Case of Benjamin Button"

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Já ninguém chora de amor by Fernando Alvim

O amor mudou sem darmos conta disso. Já ninguém chora de amor como antigamente em que se alagavam estações inteiras de comboio, de autocarro, só porque ele ia embora, só porque ela o deixava por uma semana. Os bombeiros num corrupio, “É mais uma inundação aqui na estação de sta Apolónia, venham depressa que se trata de uma despedida para o ultramar”, os lenços a abanarem como se estivessem em Fátima a 13 de Maio, os bombeiros a correrem, as crianças a chorarem por verem a mãe num pranto, o pai a dizer para não o fazerem que ele volta muito em breve,já amanhã já amanhã, a mãe inconsolável, as crianças também, o pai que não consegue controlar-se, o chefe da estação que também se sensibliza . E então: Que é feito disto? Onde estão as pessoas que choram umas pelas outras?

Já ninguém corre atrás dos comboios em andamento, já ninguém tenta dizer uma última coisa antes da partida, já ninguém diz adeus de peito aberto. Sejamos claros, é preciso chorar mais. Mas mais importante do que isso, é preciso chorar bem. E a este nível, não tenhamos dúvidas que o melhor choro, é o que tem soluços e faz fungar. Eu sei do que falo. Eu já chorei de amor e lembro-me bem que soluçava e fungava com grande mestria. O melhor choro aqui vos digo, não separa o fungo do soluço - isso nunca - porque é precisamente essa perniciosa junção, que causa um tamanho desconforto a nível respiratório, que nos obriga a parar de o fazer e nos certifica - agora sim - que estamos perante um grande amor. Soluçante. Fungoso. Exactamente, como o amor deve ser.

Fernando Alvim - http://esperobemquenao.blogspot.com/

terça-feira, 10 de novembro de 2009

if you haven't tried, you haven't lived


Love is passion, obsession, someone you can't live without.
If you don't start with that, what are you going to end up with?
Fall head over heels.
Find someone you can love like crazy and who'll love you the same way back.
Forget your head and listen to your heart.
Run the risk, if you get hurt, you'll come back.
Because, the truth is there is no sense living your life without this.
To make the journey and not fall deeply in love - well, you haven't lived a life at all.
You have to try.
Because if you haven't tried, you haven't lived.

"Meet Joe Back"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração! Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes. Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!

Clarice Linspector

“Dizem que o tempo sara todas as feridas. Talvez seja verdade. Mas há feridas que parecem não sarar. Sangram, vertem pus, voltam a sangrar, surpreendem-nos a magoar a alma quando esta já deveria estar habituada e imune a tanta dor. É certo que, às vezes, essas feridas acalmam, como as marés que recolhem a água e recuam para o mar alto; mas, tal como as marés, regressam depois, revigoradas, pujantes, invadindo de novo a praia e fazendo sentir o fulgor da sua presença, o ímpeto do seu regresso”


José Rodrigues dos Santos “A Ilha das Trevas”

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PS... I Love You


Dear Holly,

I don't have much time. I don't mean literally, I mean you're out buying ice cream and you'll be home soon. But I have a feeling this is the last letter, because there is only one thing left to tell you.
It isn't to go down memory lane or make you buy a lamp, you can take care of yourself without any help from me.
It's to tell you how much you move me, how you changed me. You made me a man, by loving me Holly. And for that, I am eternally grateful... literally.
If you can promise me anything, promise me that whenever you're sad, or unsure, or you lose complete faith, that you'll try to see yourself through my eyes.
Thank you for the honour of being my wife.
I'm a man with no regrets. How lucky am I.
You made my life, Holly. But I'm just one chapter in yours. There'll be more. I promise.
So here it comes, the big one. Don't be afraid to fall in love again.
Watch out for that signal, when life as you know it ends.

P.S. I will always love you.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

The Future

"We spend our whole lives worrying about the future, planning for the future, trying to predict the future, as if figuring it out will cushion the blow. But the future is always changing. The future is the home of our deepest fears and wildest hopes. But one thing is certain when it finally reveals itself. The future is never the way we imagined it."

Grey's Anatomy 5.23

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Paradise

"Some people feel love in their hearts;
some of us feel it all the way into our souls.
We're the ones who can't forget."

"Paradise", Judith McNaught

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Baby... remember my name...

Sober...

I don't wanna be the girl who laughs the loudest
Or the girl who never wants to be alone

(...)

I don't wanna be the girl who has to fill the silence
The quiet scares me 'cause it screams the truth


Pink

(só porque me ficou no ouvido)